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Marabá: Mensageiros químicos do altruísmo são descobertos em peixes

Publicado: Sexta, 10 de Maio de 2019, 09h19 | Última atualização em Sexta, 10 de Maio de 2019, 09h19 | Acessos: 208

Pesquisadores da Unifesspa descobrem um papel para a serotonina no comportamento cooperativo.

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Pesquisadores da UniversidadeFederal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) demonstraram que a serotonina, umneurotransmissor importante para o estresse e a ansiedade, participa noaltruísmo recíproco em lebistes. Os resultados foram relatados em artigorecente publicado no periódico Behavioural Brain Research. Esses achados jogamnovas luzes sobre a biologia da cooperação.

Os pesquisadores, liderados peloprofessor Caio Maximino, descobriram que esses pequenos animais são capazes decooperar uns com os outros para inspecionar um perigo em potencial, e que essacooperação depende de reciprocidade. Além disso, os pesquisadores descobriramque a serotonina aumenta tanto o medo quanto a cooperação nesses animais.

A pesquisa foi realizada peloprofessor, do Instituto de Estudos em Saúde e Biológicas, e por estudantes degraduação do Curso de Psicologia da Unifesspa, em colaboração com apesquisadora Marta Candeias Soares, do Centro de Investigação em Biodiversidadee Recursos Genéticos (CIBIO), uma instituição de pesquisa biológica dePortugal.

O altruísmo recíproco, estudadono artigo, é um dos mecanismos pelos quais a cooperação pode evoluir e semanter entre animais que, de acordo com a biologia evolutiva, deveriamcompetir. No altruísmo recíproco, proposto como mecanismo para a cooperaçãopelo biólogo americano Robert Trivers em um artigo de 1971, os indivíduoscooperam porque esperam reciprocidade no futuro.

Os mecanismos neurais que estãoenvolvidos no altruísmo recíproco, no entanto, eram desconhecidos; como issoocorre no cérebro? O artigo publicado pelos pesquisadores da Unifesspa examinouo papel da serotonina, um neurotransmissor cujo papel no estresse e naansiedade é bem conhecido, no altruísmo recíproco de lebistes, um pequeno peixeamazônico que é utilizado como modelo em ecologia comportamental.

“Nossa pesquisa demonstrou que acooperação está acompanhada do medo nesse modelo – isso é, mesmo quando sentemmedo, os animais cooperam entre si. É interessante que a serotonina é umneurotransmissor envolvido no medo, e parece também estar envolvida na cooperação.Quando aumentamos a serotonina, tanto o medo quanto o altruísmo recíproco aumentam,e o contrário é verdadeiro quando diminuímos a ação desse neurotransmissor”,conta o professor Caio Maximino.

Esses resultados sugerem, demaneira intrigante, que as partes do cérebro que controlam o medo também estãoenvolvidas em comportamentos sociais bastante complexos mesmo em animaissimples. A dra. Sylvia Dimitriadou, pesquisadora pós-doutoral da University ofExeter que não estava envolvida no estudo, afirmou: “muitos sugeriram queneurotransmissores como a serotonina estão envolvidos na cooperação;entretanto, isso raramente foi testado em comportamentos cooperativos entreindivíduos da mesma espécie. Esse estudo nos dá novas evidências de que aserotonina regula comportamentos de ajuda entre indivíduos da mesma espécie, eé um passo extremamente importante no entendimento dos mecanismos fisiológicosda cooperação”.

Ana Flávia Nogueira Pimentel, aestudante de Psicologia que é primeira autora do artigo, afirmou: “Foi umgrande desafio pra mim, pois é algo muito importante para o meu crescimentoacadêmico e gera um certo nervosismo, mas foi muito gratificante. O que eu consideromais importante no trabalho foi a observação de que a serotonina atua parapromover a cooperação, e isso contribui para a descrição das basesneuroquímicas do comportamento prósocial”.

O artigo Conditional approach as cooperation in predator inspection: A role for serotonin? será publicado em Junho de 2019, no periódico Behavioural Brain Research. (Divulgação). 

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