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Lançamento do livro “Em Câmara Lenta: gestos de resistência ao terror”

  • Publicado: Terça, 10 de Novembro de 2015, 12h20
  • Última atualização em Quinta, 04 de Agosto de 2016, 11h59
  • Acessos: 1294

Foto Lançamento em São Félix 1Entre os meses de outubro e novembro, foi realizado o lançamento do livro “Em Câmara Lenta: gestos de resistência ao terror” resultado do trabalho de pesquisa que gerou a dissertação de Mestrado do Diretor do Instituto de Estudos do Xingu (IEX), Prof. MSc. Carlos Augusto Carneiro Costa. No dia 22 de outubro, foi realizado o coquetel na Casa das Rosas, em São Paulo, onde o autor discursou para críticos e professores de literatura; no dia 04 de novembro, o prof. Carlos apresentou o seu trabalho durante a 3ª Jornada de Literatura de Resistência ocorrida no campus da UFPA, em Abaetetuba; e dia 09 de novembro, no, campus da UNIFESSPA em São Félix do Xingu no IEX, o autor realizou o lançamento junto aos seus alunos e colegas de trabalho.

Desde pelo menos as últimas duas décadas, vivenciamos no campo das Humanidades o boom da pesquisa acerca da memória. Nesse processo, um grande volume de estudos críticos voltados para o testemunho e suas derivantes, entre as quais o romance-testemunho, o testemunho romanceado, o documentário ficcional, para falarmos apenas das formas mais recorrentes, se fez presente especialmente no meio acadêmico. No caso da literatura brasileira, essas possibilidades literárias trazem em si a expressão da catástrofe e da fragilização do humanismo, aliados a um paradoxal problema para a linguagem: a incomunicabilidade, tão afeita à escrita marcada pelo trauma. 

A dureza do regime civil-militar de 1964 se deixou aí representar especialmente pelas ações repressivas voltadas ao sequestro, à tortura, ao desaparecimento e ao assassinato dos opositores, aspectos que têm permanecido meticulosamente explorados em vários romances produzidos na égide das atividades repressivas do regime ou posteriormente à Abertura, como é o caso de Em câmara lenta, do cineasta e escritor Renato Tapajós. O romance trata dos absurdos cometidos pelo braço armado do regime autoritário, da clandestinidade e, sobretudo, da dor singular remetida àexperiência da tortura e da morte infame imposta ao resistente.Lançamento São Paulo

Lançamento em São Félix 2A pesquisa desenvolvida por Carlos Augusto Costa em razão de Em câmara lenta vem contribuir com os estudos que englobam tanto a teoria do texto literário quanto a teoria do testemunho, bem como o papel da crítica literária no entorno dos problemas relativos à censura de produções artísticas na vigência do regime, na medida em que o pesquisador institui interessante e necessário diálogo metacrítico com a recepção que Antonio Candido faz do romance de Renato Tapajós. Esse percurso nos remete a Maurice Halbwachs, para quem as lembranças precisam ser reconstruídas a partir de uma base comum. Assim como Halbwachs, Pierre Nora nos fala do patrimônio recordativo material e imaterial, necessário para a constituição de identidades. São estudiosos que nos fazem lembrar o tempo todo que o trabalho com a memória é sempre um apelo à linguagem. É sempre também um ato herético, pois rememorar implica reelaborar, o que implica ser o recordado sempre o outro, e não mais o mesmo. Dessa forma, o recordado resulta sempre em desvio, cujo limite reside somente na decisão de esquecer ou lembrar.                                                                                                  

                                                              O estudo de Carlos Augusto Costa se vale de maneira criteriosa dessa dimensão, pois sem dúvida opta por ser um trabalho crítico a serviço da necessidade de não esquecer.      

Tânia Sarmento-Pantoja

(Doutora em Estudos Literários

Professora e Pesquisadora da Universidade Federal do Pará)

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