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Mais de mil filhotes de tartarugas e tracajás são integrados à natureza pelo projeto Quelônios do Tocantins

  • Publicado: Terça, 23 de Fevereiro de 2021, 16h34
  • Última atualização em Quinta, 25 de Fevereiro de 2021, 15h22
  • Acessos: 605

quelonio rioMais de mil filhotes de tracajás e tartarugas-da-Amazônia foram devolvidos à natureza, em mais uma ação do projeto Quelônios do Tocantins. A soltura dos animais ocorreu no último final de semana, no Rio Tocantins, em Marabá, e contou com a participação de voluntários esportistas que praticam stand-up paddle no local.

Antes de serem integrados à natureza, esses filhotes passaram por um longo período de preparação e cuidados. A coleta dos ovos começou a ser feita em agosto do ano passado, logo após o período de montagens dos ninhos pelos animais adultos. Os ovos ficaram cerca de 65 dias em incubação.

Após essa etapa, os ovos eclodem e os filhotes são colocados em pequenos tanques feitos com lonas, onde recebem cuidados até serem soltos. Durante a estadia nos berçários, os animais são alimentados com vegetação retirada do próprio rio Tocantins, além de receberem suplemento proteico, como ração balanceada.

De acordo com o técnico em agropecuária, Jucelino Bezerra, responsável por acompanhar todo esse processo, o projeto não recebe visitas para evitar a domesticação dos animais. “A intenção é não os domesticar para que eles possam aprender a comer o que eles vão encontrar nos rios quando forem soltos”. Nas próximas duas semanas, as solturas continuarão nas bases do projeto em Marabá e na Vila Tauari, distante 18 km do município de Itupiranga. A expectativa é que, aproximadamente, mais 30 mil filhotes sejam entregues à natureza ainda este ano. 

A soltura dos animais ocorre em um momento estratégico, em que os filhotes estão um pouco maiores e o volume do rio está em alta, o que colabora para que a água alcance os ambientes de vegetação, facilitando o processo de alimentação dos quelônios. “Com isso, esperamos aumentar a taxa de sobrevivência na natureza, que é de apenas 1 a 2%. Os quelônios são a base da alimentação de muitas espécies e a fragilidade dos filhotes, associada ao lento crescimento, os coloca como presas fáceis”, afirma o técnico agropecuário.

tanques queloniosO professor Evandro Medeiros, que participou da soltura dos filhotes, conta que desde 2014 pratica atividades de remo nos rios da cidade. No ano passado, juntamente com outros praticantes do esporte, criou o grupo “TracaJah Sup”, batizado em homenagem aos quelônios da Amazônia.

Desde então, o grupo busca contribuir com as atividades de preservação que vêm sendo desenvolvidas pelo projeto da Unifesspa, além de estimular uma cultura de respeito com o rio, considerando este um ambiente de vida, inclusive para aqueles que tiram das águas seu sustento e estabelecem modos de vida próprios com esta realidade.

“Para além desse momento lindo da soltura, é preciso lembrar que ambas iniciativas visam chamar atenção da sociedade marabaense para o rio e a realidade ecológica no qual estamos inseridos. Tanto o Projeto Quelônios como a TracaJah Sup se propõem a fomentar debates e ações que pautem a construção de políticas públicas para preservação da natureza e formação de uma consciência amazônica crítica e comprometida com tal preservação da vida, da floresta e dos rios”, afirma o professor.

Características dos animais –  Jucelino explica que a tartaruga-da-Amazônia é considerada o maior quelônio aquático de água doce da América do Sul. Essa espécie, que já esteve na lista de animais ameaçados de extinção, põe, em média, 70 ovos por ninho. “Ela inicia a fase de reprodução quando atinge 25 quilos de massa corpórea, sendo um animal bem grande”, explica.

Já a espécie tracajá é bem menor e possui características diferentes de acordo com a região. “Na Amazônia, um tracajá tem, em média, oito quilos. Aqui na região, de acordo com nossas pesquisas, eles não ultrapassam quatro quilos”, ressalta Jucelino. A média local é de 16 ovos por ninhada.

Ainda segundo o técnico, ambas as espécies possuem hábitos alimentares iguais, com 90% dos alimentos de origem vegetal. A diferença está na ecologia reprodutiva. “Temos relatos na literatura que as tartarugas viajam até 1.300 quilômetros do local de onde vivem até onde vão se reproduzir, sendo animais seletivos na escolha do ambiente de desova. O tracajá é mais regional, não realizando grandes deslocamentos para reprodução”.

Sobre o projeto – Realizado pelo Núcleo de Educação Ambiental (NEAm) da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), o projeto Quelônios do Tocantis existe desde 2017 e tem como responsáveis os professores José Pedro de Azevedo Martins e Cristiane Vieira Cunha, e o técnico da Unifesspa, Jucelino Bezerra de Souza. 

tartarugasCom ações integradas, a iniciativa visa promover a educação ambiental de comunidades ribeirinhas e o manejo reprodutivo de quelônios aquáticos. Além disso, objetiva a recuperação da população desses animais a níveis saudáveis, dado que há forte pressão de predação sobre ovos, filhotes e animais adultos.

O projeto Quelônios do Tocantins tem como parceira a Prefeitura de Marabá, por meio do Conselho Municipal de Meio Ambiente, da Secretaria de Meio Ambiente e Guarda Civil, e conta com o apoio do Ministério Público do Pará, Ibama e Ideflor-bio.

NEAm - O núcleo tem como eixo central desenvolver programas de educação ambiental crítica com projetos centrados na educação formal e informal abordando o contexto político, econômico, ambiental e cultural. Nos últimos anos, o NEAm é responsável pelo desenvolvimento de dois grandes projetos: Propesca e Quelônios do Tocantins. Esses projetos se integram às ações de educação ambiental escolar e popular, contando com a parceria de um conjunto de pesquisadores, tendo como eixo aglutinador a dinâmica socioambiental regional.

 

Imagens: Danilo Asp (TramaTeia Filmes).

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