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Mulheres combatem invisibilidade histórica e avançam nos espaços de produção científica

  • Publicado: Quinta, 11 de Fevereiro de 2021, 18h27
  • Última atualização em Sexta, 12 de Fevereiro de 2021, 12h24
  • Acessos: 615

marisol pesquisadoraHoje, dia 11 de fevereiro, é comemorado o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, data instituída em 2015, a partir de uma iniciativa da Organizações das Nações Unidas (ONU). O dia é celebrado ao redor do mundo, com atividades e ações que objetivam dar visibilidade ao papel e às fundamentais contribuições das mulheres na construção do conhecimento científico e tecnológico.

Em todo o mundo, estima-se que as mulheres representem apenas 33% da população de cientistas, segundo dados da Unesco. Índice que está atrelado a diversos fatores estruturais relacionados ao papel histórico atribuído a homens e mulheres na sociedade e às condições desiguais de participação nos ambientes acadêmicos. No Brasil, felizmente, a atuação delas na ciência é maior que o índice mundial. 

Relatório da Unesco, publicado em 2018, mostra que, entre 2011 e 2015, 49% das publicações científicas brasileiras tiveram, como primeira autoria, pesquisadoras. Outro dado significativo, desta vez do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), é que, atualmente, as mulheres representam cerca de 54% dos estudantes de doutorado no Brasil, 10% a mais em relação às últimas duas décadas. Nos cursos de pós-graduação da Unifesspa, elas representam 55% do total de pesquisadores. 

“A participação feminina na ciência é uma quebra de barreiras de uma sociedade que está mudando sua percepção do papel da mulher no protagonismo e na ação da produção de conhecimento científico. Em determinados momentos da história, mesmo as mulheres tendo papel fundamental na produção do conhecimento, seus nomes eram desconsiderados. Foi por meio articulação e luta pelos direitos femininos, que houve aumento da participação feminina na divulgação da ciência”, afirma a pró-reitora de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação Tecnológica da Unifesspa, prof. Dra. Gilmara Lima.

Na Unifesspa, mulheres lideram importantes pesquisas e contribuições para o progresso da ciência, ajudando no desenvolvimento da sociedade, da região e do país. Contudo, essa participação ainda não atingiu uma equidade. Dos 109 projetos de pesquisa atualmente ativos na Instituição, 34% são liderados por mulheres. Já em relação aos grupos de pesquisa, 74 são coordenados por elas. Entre os 140 docentes atualmente envolvidos nos Programas de Pós-Graduação da Unifesspa, 43 são mulheres.

marissol pesquisadora“A presença de mulheres na coordenação de projetos de pesquisa e em Programas de Pós-graduação ainda é baixa na Unifesspa, sendo necessária uma política institucional de inserção deste público na produção científica. Mas, sobretudo, é uma forma de diminuir as assimetrias históricas. Por isso, essa data é importante porque a questão é um desafio constante para todas nós, de ter visibilidade e reconhecimento dos nossos trabalhos”, afirma a pró-reitora.

Para a estudante Marissol Leite, do curso de Ciências Biológicas, a pesquisa científica é uma paixão que despertou nela o interesse por outras possibilidades de atuação durante o período de graduação. Prestes a finalizar o curso, atualmente ela desenvolve um estudo, em laboratório, sobre potencial epilético de plantas nativas em peixes.

“Desenvolver pesquisa científica é uma das coisas mais importantes na minha vida. Graças aos professores, entendi que contribuir com a ciência é um dever de todo pesquisador. O estudo de ‘base’ é a parte mais importante de tudo que vem depois, pois sem ela não há pesquisa. Eu amo ser uma pequena cientista e assim ajudar a construir um futuro melhor para todos”, afirma a estudante.

Mulheres na graduação - A participação das mulheres no ensino superior é dominante e vem crescendo a cada ano. De acordo com a V Pesquisa do Perfil Socioeconômico das Instituições Federais de Ensino, realizada em 2018 pela Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino (Andifes), o percentual da participação feminina no ensino superior passou de pouco mais de 51% em 1996 para quase 55% em 2018.  

Dados da Série Histórica, calculados entres os anos de 2013 a 2019, mostram que as mulheres sempre foram maioria entre os estudantes da Unifesspa. Os números mais recentes apontam que elas representam 55% do total de alunos matriculados.

Disparidades em algumas áreas - Apesar de serem maioria, em termos absolutos, na graduação, em algumas áreas elas ainda estão em desvantagem, a exemplo das ciências exatas e engenharias, onde a participação feminina é menor. “Há um desequilíbrio de gênero nos cursos de exatas, mesmo com os dados apresentados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) mostrando que as mulheres são a maioria no Ensino Superior”, afirma a diretora da Faculdade de Computação e Engenharia Elétrica da Unifesspa, prof. Dra. Zenaide Carvalho da Silva.

Nos cursos de Ciência da Computação e Engenharia somente 15% dos alunos são mulheres, segundo a Sociedade Brasileira de Computação (SBC). Para a pesquisadora, essa disparidade é reflexo de processos e mecanismos de socialização, em que existem características intrínsecas e divisões naturais de funções na sociedade, reservando papeis distintos para homens e mulheres. “O debate sobre esse tema é importante e precisa existir sempre para que cada vez mais possamos aumentar a presença feminina nos cursos das áreas de exatas”, afirma.

estudante eva A estudante Eva Castilho, do curso de Engenharia Mecânica, conhece as dificuldades reservadas para uma mulher inserida na área de exatas. “Ainda não temos uma participação tão ativa da presença feminina, não tão somente por discriminação, mas também por ainda serem ambientes de aspectos majoritariamente masculinos, no que diz respeito, por exemplo, a formação de equipes, condições de trabalho, espaços físicos, etc.”, revela.

A escolha pelo curso ocorreu devido a afinidade, durante o ensino escolar, em disciplinas de exatas, como a física. Atualmente, cursando o último período da graduação e já inserida no mercado de trabalho, Eva faz o acompanhamento de processos de planejamento e controle de manutenção de equipamentos de manutenção ferroviária. “Ao longo do curso, tive excelentes oportunidades de poder participar e atuar em diversos projetos e iniciativas estudantis, como Empresa Júnior, semanas acadêmicas, além de sido bolsista de Iniciação Científica”.

Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência - Segundo a Unesco, esta data busca aumentar a conscientização sobre a questão da excelência das mulheres na ciência e lembrar a comunidade internacional de que a ciência e a igualdade de gênero devem avançar lado a lado, a fim de enfrentar os principais desafios mundiais e alcançar todos os objetivos e metas da Agenda 2030. Este ano, a celebração trata do tema “Mulheres cientistas na linha de frente da luta contra a COVID-19” e reúne especialistas de diferentes partes do mundo que trabalham em áreas relacionadas à pandemia. 

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