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Unifesspa amplia diálogo e ações com povos indígenas

  • Publicado: Segunda, 09 de Abril de 2018, 11h34
  • Última atualização em Segunda, 09 de Abril de 2018, 16h41
  • Acessos: 462

Destaque GTs indígenasA Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), desde o segundo semestre de 2017, tem realizado uma série de ações integradas junto aos povos Gavião, Awaeté-Parakanã e Suruí-Aikewara e, com isso, ampliado o diálogo com os povos indígenas da Região. Essa aproximação atende às demandas que as próprias lideranças desses povos encaminharam à Universidade e, para a sua realização foram criados três grupos de trabalho.

Em 29 de setembro de 2017, à convite de algumas lideranças indígenas, a Vice-Reitoria, acompanhada de pesquisadores e técnicos do quadro institucional da Unifesspa estiveram na aldeia Kyikatejê (Povo Gavião) tanto para ouvir as demandas relacionadas a uma possível colaboração com as aldeias na construção de um “Plano de Vida”, como sobre os impactos ambientais e sociais causados por atividades econômicas de empresas públicas e privadas na Terra Indígena Mãe Maria.

Através de reuniões periódicas um Grupo de Trabalho formado por pesquisadores vem amadurecendo formas para discutir a proposta de forma cada vez mais integrada. As dinâmicas sociais e territoriais que estruturaram o Povo Gavião e suas diversas etnias na região são marcadas por lutas e resistência frente à expansão do latifúndio, do garimpo e da pecuária, dentre outros interesses econômicos que forçaram o deslocamento espacial desse povo, sem considerar suas particularidades cosmológicas. Por causa disso, esses indígenas têm sido obrigados a travar longas batalhas judiciais para terem seus direitos resguardados, principalmente quanto a sua soberania territorial. Nesse sentido, a construção de ações coletivas em prol da defesa do território almeja não apenas assegurar a vida na terra indígena às gerações vindouras, mas sobretudo fortalecer o protagonismo de todos os povos indígenas da região.

No intento de reunir um número crescente de lideranças, a Unifesspa esteve presente na Festa da Castanha, no último dia (27/03), na qual oportunizou o estreitamento dos docentes com o cotidiano da festa e seus desdobramentos. Os pesquisadores esperam, como agenda posterior, compor uma reunião mais ampla e com objetivos mais definidos, provavelmente no espaço da própria universidade.  

Ainda no ano passado (03 e 04/10/2017), a vice-reitora Idelma Santiago, os docentes Jerônimo da Silva e Silva, Hiran de Possas Moura, Maria Cristina Macedo Alencar e a técnica Naurinete Fernandes Inácio estiveram no Centro de Formação Taxaokokwera, aldeia Parakanã, para participar da primeira edição da Conferência Local de Educação Escolar Indígena (CONEEI).

O evento é resultado de um diálogo entre as lideranças indígenas Awaeté-Parakanã, a Secretaria de Educação de Novo Repartimento e o Fórum Municipal de Educação, e teve o objetivo de refletir sobre as experiências anteriores no contexto do Programa Parakanã, além de constituir um espaço para a elaboração de propostas visando construir concepções de educação escolar indígena a partir de suas especificidades.

Durante o evento, diversas lideranças e representantes do povo Parakanã externalizaram suas demandas particulares e refletiram como elas se incorporavam com um projeto educacional objetivando manter a autonomia cultural e territorial.

O espaço de debate, também estruturado através de Eixos Temáticos, foi um momento para que professores não indígenas do município pudessem ouvir as demandas Parakanãs. Para isso, foram definidos os seguintes eixos: Organização e Gestão da Educação Escolar Indígena; Práticas Pedagógicas Diferenciadas na Educação Escolar Indígena; Formação e Valorização dos Professores Indígenas; Políticas de Atendimento à Educação Escolar Indígena na Educação Básica e Educação Superior e Povos Indígenas.

Essa divisão permitiu aos professores e técnicos da Unifesspa, não somente participar transversalmente das propostas e diálogos, mas visibilizar possibilidades de a Universidade se fazer atuante nesse processo.

Um dos resultados deste evento foi a solicitação institucional de uma proposta para criação de uma especialização em Educação Escolar Indígena do Programa Parakanã e da Secretaria Municipal de Novo Repartimento, nos meses subsequentes. A solicitação segue em processo de maturação. A partir deste mês, a Assessoria para Assuntos da Diversidade convidará docentes para a elaboração do Projeto Político-Pedagógico do Curso e estabelecerá um calendário para outros momentos junto ao povo Awaeté-Parakanã, no intuito de garantir o seu protagonismo no processo, bem como todos os trâmites administrativos necessários.

O Tapiri da Aldeia Sororó foi o local da reunião realizada com o Povo Suruí-Aikewara, em 5 de dezembro de 2017. Na ocasião, professores e técnicos representantes da Proeg, Proex, Iedar, Iesb, ICH e ILLA, além da Vice-Reitora, ouviram as lideranças locais e estudantes secundaristas sobre seus anseios em relação a uma possível parceria com a instituição para a oferta de cursos nas aldeias. Esse diálogo principiou quando lideranças e jovens indígenas solicitaram formalmente junto à Universidade um conjunto de demandas amplamente debatidas e ratificadas na Conferência Local de Educação Escolar Indígena, realizada no segundo semestre de 2017.  

Na ocasião, os indígenas relataram as dificuldades que os seus estudantes enfrentam ao cursar graduação em instituições de ensino distantes das aldeias, não somente por aspectos logísticos e financeiros, mas também pelas diferenças culturais e pelo preconceito nestes espaços. Assim, considerando as necessidades da comunidade, as áreas de conhecimento sugeridas ficaram em torno da saúde, administração e gestão agrícola, com ênfase em técnicas sustentáveis de produção de alimentos aliadas à preservação ambiental, a exemplo do manejo agroflorestal, em uma perspectiva territorial e interdisciplinar.

Diante da inviabilidade da oferta de cursos na aldeia de forma imediata, as discussões apontaram para a possibilidade de planejar, conjuntamente com os indígenas, ações extensionistas com cursos de capacitação, certificados pela Unifesspa e realizados por professores e técnicos de seu quadro institucional, sobre as temáticas apresentadas pelos próprios indígenas.

As reuniões realizadas, respectivamente, nos últimos dias 27 de fevereiro e 26 de março de 2018, contaram com a presença de lideranças das comunidades e da Unifesspa, por meio da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis (Proex), para estabelecer em conjunto o primeiro curso, programado para o período de 28 a 30 de junho de 2018, que será voltado para a compreensão dos mapas das aldeias da área e das formas próprias de representação territorial através de desenhos cartográficos. Apesar de cientes da complexidade dessas ações, tanto o Grupo de Trabalho da Unifesspa como as lideranças indígenas locais, acreditam que essas propostas, pelo seu teor intercultural, podem ser extremamente enriquecedoras.Indígenas 2

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