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Comissão Pastoral da Terra é homenageada em Festival de Cinema da Unifesspa

  • Publicado: Segunda, 15 de Abril de 2019, 11h20
  • Última atualização em Segunda, 15 de Abril de 2019, 15h38
  • Acessos: 116

Cinefront 2019 abertura 04Símbolo de organização, luta e resistência no país, a Comissão Pastoral da Terra é homenageada pelo Festival Internacional Amazônida de Cinema de Fronteira (FIA Cinefront) que começou na sexta-feira, 12 de abril de 2019, em Marabá. O festival está em sua quinta edição, ofertando sessões gratuitas de cinema com as obras de audiovisual que refletem denúncias e a realidade da região em que a Unifesspa está inserida.

Presente na região desde 1975, a Comissão Pastoral da Terra nasce vinculada à Igreja Católica em plena ditatura militar, como resposta à grave situação vivida pelos trabalhadores rurais, posseiros e peões, sobretudo na Amazônia, explorados em seu trabalho, submetidos a condições análogas ao trabalho escravo e expulsos das terras que ocupavam. 

Nestes mais de 40 anos na região, a CPT se utilizou de vários mecanismos para denúncias e estratégias para dar suporte ao homem e à mulher do campo, como o cinema. “Todos os anos homenageamos personalidades do cinema que tenham feito trabalhos relevantes sobre a Amazônia e regiões de fronteira. Esse ano, a escolha pela Comissão Pastoral da Terra se deu pela quantidade de pessoas ligadas à entidade que desenvolveram trabalhos de apoio, formação e luta pela terra e que se utilizaram dessa linguagem como arma de expressão das lutas sociais na Amazônia”, disse Evaldo Gomes Júnior, diretor na Proex e responsável pelo evento.

“A CPT nasceu para ser uma entidade a serviço e prestar assessoria para a luta dos camponeses pela conquista e permanência na terra. Deu contribuição importante à organização dos trabalhadores e contribuiu na transformação da região como uma das que tem maior número de assentamentos e continua ao lado dos trabalhadores prestando assessoria para contribuir com suas lutas e defesas de seus direitos”, destacou José Batista, advogado da CPT em Marabá.

Também representou a Comissão Pastoral da Terra e recebeu homenagens o agrônomo e ativista Emmanuel Wambergue, o Manu, que na ocasião, relembrou importantes marcos na história da CPT e nas lutas sociais.

“A fronteira não é algo que existe só na nossa região. São fundamentalmente humanas e acabam envolvendo aspectos muito particulares da forma como você incorpora o espaço e os recursos naturais aos processos de produção capitalistas. Hoje temos nesse processo de incorporação marcada pela expropriação de povos, territórios, que envolve violência, tentativas de negação da cultura. Esse festival é um espaço para disputar as narrativas desse processo através do cinema e principalmente mostrar que a história não é natural”, ressaltou o professor Maurílio Monteiro, reitor da Unifesspa.

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Filmes

Na abertura do Cinefront, os filmes apresentados destacaram tanto a realidade da região quanto a luta e o apoio da CPT nas questões que envolvem o direito à posse da terra, direito de nela permanecer e trabalhar, direito de acesso à água, direito ao trabalho e este em condições dignas.
“Há alguns anos, essa universidade decidiu fazer uma programação em memória ao Massacre em Eldorado Carajás, a Semana Camponesa. Umas das atividades para essa semana foi o Cinefront. Deu certo e a semana tornou-se a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA) que acontece por todo país e esse festival de cinema que está em sua quinta edição”, destacou Amintas Lopes Júnior, membro da curadoria e um dos idealizadores do festival.

O primeiro filme exibido foi “Bandeiras Verdes”, de Murilo Santos. Filme etnográfico de 1987 retrata a região interiorana do estado do Maranhão, denominada pré-amazônica, abordando aspectos fundiários e migratórios nas relações campesinas coma prática da agricultura de subsistência e a expulsão destes das terras em que se estabelecem, em decorrência da grilagem. Em seguida, o documentário “Manu: essa história não é minha só” mostra Emmanuel Wambergue, o agrônomo e ativista francês que chegou à região justamente na conjuntura que deu início à Comissão Pastoral da Terra e que contribuiu com esta pastoral, em sua fundação, no apoio aos campesinos do Sul e Sudeste do Pará. Manu, como é conhecido, há quatro décadas segue lutando pela preservação da floresta e pelos direitos humanos na Amazônia.

Outra personagem importante à CPT, Henri Burin des Roziers, também tem sua história de apoio ao povo do campo retratada no documentário “A Lenda da Terra Dourada”, de Stéphane Brasey. A obra apresenta as diversas facetas da luta pela terra: trabalhadores rurais submetidos a condições análogas ao trabalho escravos, o poder público movido por denúncias feitas pela CPT entre outros movimentos sociais e fazendeiros de gado da região.

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